#LaLaLand é filme tipo fast-food.

 

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Você vê uma daquelas fotos de redes de fast-food que mostram sanduíches suculentos e que te deixam com água na boca, daí você resolve ir lá e comprar um, o sanduíche é até bonito e gostoso mas depois de algumas horas você já esqueceu o que comeu e provavelmente já tá até com fome de novo. Quase todo mundo já viveu isso né? Pois bem. #LaLaLand tem um pouco desse efeito sobre nós. O filme é chamativo (pelo burburinho ao redor dele), é colorido e visualmente bonito, tem dois protagonistas exalando carisma, é gostoso de assistir, te deixa cantarolando e leve mas não é marcante. Está longe de ser um grande musical e não vai, muito menos, trazer o gênero de volta a crista da onda.

Com uma história simples e sem grandes conflitos, o filme tem a boa intenção de deixar o espectador refletindo e até certo ponto consegue, mesmo que essa provocação seja bem leve. Os caminhos que seguimos em busca dos nossos sonhos, o que poderia ter acontecido se tivéssemos tomado uma decisão diferente em um momento crucial e como uma pessoa que gostamos muito um dia vai sempre ter um lugar especial no nosso coração são boas sacadas do filme. Essas sacadas são exploradas de uma maneira legal e chegam a emocionar. A fotografia e figurinos podem soar exagerados mas ornam bem com essa idéia de homenagear/chupar a forma como os musicais da era de ouro dos musicais eram feitos. Essa homenagem, na realidade, talvez seja o grande trunfo do filme. Desde a grandiosa cena de abertura, passando por elementos do roteiro como o casal que se apaixona a 2ª vista, as amigas saindo pra se divertir e até os planos super abertos durante as cenas de dança mostram que #LaLaLand é impecável em lembrar outros filmes, mas que, no geral, não acrescenta muito e é apenas mediano.

Emma Stone brilha durante todo o filme. Tudo bem que cantando deram um jeito de camuflar a sua provável falta de habilidade com várias firulas. Tudo bem também que na cena de dança mais “técnica” o esforço para acertar o que foi ensaiado é claro. Mas como tem carisma! E, comprovadamente atriz talentosa, faz ótimas cenas e se mostra confortável no papel. Sua química com Ryan Gosling é excelente, o casal perfeito que Hollywood gosta de shippar. Gosling, por sua vez, não menos carismático em cena, está ok e seu desempenho lembra outros papéis. Quase não abusa dos vocais mas parece mais confortável na dança do que Emma.

A impressão que tenho é que resolveram investir nesse filme por ser uma homenagem a própria indústria. Não que o filme seja ruim, pelo contrário. Mas prometem muito mais do que entregam. Uma das imagens de divulgação do filme que é mais usada, por exemplo, é de uma cena que simplesmente não existe (imagem abaixo). De toda forma, saborear um bom hambúrguer de vez em quando é sempre bem prazeroso. Vale a pena ver.

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UPDATE! Indico a leitura do texto do André Barcinski: “La La Land”: os críticos devem estar loucos

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