Sobre o legado e o fim do #Esquenta!

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Sobre a falta que vai fazer. O que chamava mais atenção no #Esquenta na sua estréia eram as cores e os barulhos. Cores de todos os tipos e de todos os lugares, pessoas que precisavam falar e ouvirem falar delas na TV. Tudo bem que no quesito música a predominância era o Samba, mas rolou de tudo! De Caetano e Gil ao tecnobrega. Era uma mistura, uma bagunça. Uma bagunça deliciosamente organizada pela carismática Regina Casé. Ela, experiente em sair por aí pra ouvir histórias de pessoas de todos os tipos (#BrasilLegal, #Muvuca e #CentralDaPeriferia), resolveu chamar toda essa galera pra uma “festa de largo” num estúdio. A idéia do cenário demonstrava bem essa proposta de mistura, de bagunça. Não era o tradicional apresentador de frente a platéia, era tudo ali, junto e misturado, e a Regina ia caminhando no meio da galera. O objetivo era mostrar as culturas periféricas do Brasil. Podiam ser as festas juninas no nordeste, as festas de aparelhagem de Belém, o rap de São Paulo ou o funk carioca e suas mulheres com tatuagens de “nem”. Era tudo muito animado, divertido, festivo e mais real do que os endinheirados do Leblon, ou os nordestinos caricatos que estávamos acostumados a ver nas novelas da Globo. O programa foi criticado e lembro quando disseram que “glamourizava a pobreza”. Não concordo, acredito que o programa tinha a genuína intenção de representar um Brasil não explorado na TV, e era uma delícia acompanhar essa festa todo domingo e a vontade era de ir pra lá, abrir uma cerveja e curtir junto. Com o tempo o programa foi além, começou a tocar em assuntos “delicados” como machismo, violência doméstica e homofobia em pleno domingo, na hora do almoço, na maior emissora do país. Sem dúvida foi um avanço, foi marcante e será lembrado por isso. Sentiremos falta de ver esse Brasil “real” na TV, da alegria da galera, das músicas, das pessoas incríveis que a Regina entrevistava, e enfim, do clima do programa.

Sobre como também é bom acabarÉ natural quando um formato se esgota e com o #Esquenta! não foi diferente. Com o passar dos anos e das temporadas, as cores alegres que chamavam atenção começaram a parecer forçadas, o cenário que era no estilo “junto e misturado” foi pro formato padrão com apresentador na frente e todo mundo sentadinho, a Regina empolgada e que parecia realmente estar conversando com a galera deu lugar a uma Regina que parecia estar tentando apenas segurar a animação e as conversas e o improviso foi perdendo cada vez mais espaço para o telepronter. Nessa última temporada a Regina saiu do estúdio e foi para as casas das pessoas, e mesmo sendo ótima nisso e a idéia ser boa, descaracterizou o programa. Perdeu a mistura e a bagunça se desfez. Ainda tínhamos um suspiro do antigo #Esquenta! ali, mas, infelizmente, já não era mais o mesmo. Originalmente idealizado como um programa especial, talvez a obrigatoriedade de se fazer uma bagunça organizada por vários programas para cada temporada já tenha descaracterizado o programa desde o início. Mas funcionou, até não funcionar mais. E que bom que acabou com um conteúdo ainda interessante e relevante. Vai deixar saudades mas se despedir nem sempre é ruim.

Alôôôôôô Regina!

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Também indico o texto Alegre e relevante, Esquenta! não conseguiu se adaptar ao país em crise do Mauricio Stycer.

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